Qual empresário nunca comprou nada para uso particular e colocou na conta da empresa? Difícil pensar em alguém que nunca tenho feito isso, não é mesmo?
Despesas com farmácia, supermercado, happy hour, mensalidade escolar, carros, imóveis, etc. São muitas as situações que ocorrem para que esse tipo de prática aconteça e acabe “poluindo” o resultado da empresa. Prejudicando os indicadores financeiros do negócio e, em casos mais avançados, levando a empresa a fechar suas portas.
Na maioria das vezes, isso acontece naturalmente, sem ideia ou percepção dos reflexos que essa prática irá desenvolver ao longo do tempo. A Contabilidade, através do princípio da Entidade, não permite que o Patrimônio se misture com o do proprietário. Para empresas que se enquadram no art. 299 do RIR/99, as despesas dedutíveis para fins de apuração do LALUR são aquelas relativamente necessárias à manutenção das atividades operacionais da empresa.
Veja como essa prática pode ser prejudicial à empresa conferindo o exemplo a seguir.
Imagine João como dono da loja de Roupas Blumenau Ltda., a empresa iniciou suas atividades em 2017 e possui conta bancária própria, porém o proprietário utiliza a conta da empresa para manutenção de alguns gastos pessoais. A contabilidade ao receber o extrato de João, identificou e segregou os tipos de gastos que ocorreram durante o ano, chegando a seguinte situação:
| 1- (+) Recebimentos pela venda de roupas | R$ 80.000 |
| 2- (-) Pagamento de impostos de fornecedores | R$30.000 |
| 3- (-) Pagamento de Pró-labore e encargos | R$24.000 |
| 4- (-) Pagamento de outras despesas da empresa | R$2.000 |
| 5- (-) Despesas particulares do proprietário | R$ 20.000 |
| 6- (=) Saldo final do extrato | R$ 4.000 |
No extrato acima, veja que João mantém um pró-labore (item 3) anual como remuneração para seus serviços, no entanto, além disso, João combina o montante de R$ 20.000 (item 5) para bancar outras despesas particulares pagas pelo caixa da empresa que, sob ótica contábil, fere o princípio da Entidade.
Embora a empresa mantenha um saldo positivo em sua conta corrente, em curto espaço de tempo terá que recorrer à injeção de dinheiro no caixa. Nesse clássico exemplo, na maioria das vezes o proprietário busca alternativas como empréstimos, antecipação de duplicatas ou alongamento dos prazos com fornecedores. Porém, em uma análise preliminar, nota-se que o problema não está na operação da empresa e sim no controle e manutenção dos gastos do sócio.
Se João controlasse suas finanças separadamente da empresa, a história seria bem diferente, ou seja, a análise sobre o negócio mudaria. Por esse motivo, é de suma importância que você empresário e empreendedor tenha em mente que para o sucesso do negócio, é imprescindível a separação e planejamento dos gastos pessoais e da empresa. Manter essa prática irá lhe trazer informações realistas e verdadeiras sobre a empresa, com isso você poderá avaliar novas oportunidades de investimento e crescimento para seu negócio.
Fique atento a essas práticas, melhore seus controles e procure profissionais que vão te ajudar com essas rotinas, entre em contato agora.
Jaime Roberto Schwanke é formado em Administração Financeira e Ciências Contábeis pela Uniasselvi, com especialização MBA em Gestão Tributária pelo INPG Business School (Instituto Nacional de Pós Graduação), participou ativamente de projetos em grandes empresas da região auxiliando na redução de sua carga tributária, na melhoria de controles internos e na qualidade das suas informações gerenciais. Atualmente é Contador com registro no CRC 36193 proprietário da Erbex Serviços Contábeis que ajuda centenas de empreendedores de pequenas e médias empresas na gestão do seu negócio e transparência das informações contábeis para tomada de decisão melhorando seu fluxo de caixa e sua rentabilidade.
